Entre Fraldas e Blush

Aborto, uma dor para sempre

Precisamos falar sobre isso! Para mim era um assunto assustador e totalmente desconhecido. Eu tive duas gestações maravilhosas, tranquilas e sem nenhum contratempo. Nunca imaginei por um segundo a realidade triste e fria de mães que perdem seus bebês. E acredite, todo dia uma gravidinha perde um neném e um coração de mãe se parte.

As pessoas olham para você e dizem: Que bom que foi no inicio. An? Que bom? Que bom o que gente! Pelo amor de Deus vamos ter um pouco mais de empatia. Não existe nada de bom em perder um filho. Desde o positivo fazemos inúmeros planos, começamos olhar decorações de quartinho, coisinhas de menino e menina. Pensamos no Chá de Bebê. Ficamos ansiosos para saber o sexo e já queremos escolher um nome.

Com 12 semanas de gestação eu recebi um diagnostico que partiu meu coração, eu estava sem reação. Eu não sabia o que sentir. Não sabia. Era medo misturado com um choro na garganta e uma esperança enorme dentro de mim. Nesse momento eu conheci um universo comovente, angustiante e mesmo assim cheio de fé.

A gente lê um monte de historia de sucesso na mesma proporção que lê as de fracasso de um diagnostico como o que tínhamos. Eu já sabia que era uma menina, ela tinha hidropsia. A hidropsia fetal acontece por algum tipo de doença que o bebezinho tem. Era uma hidropsia acentuada em todo o corpinho, traduzinho ela estava todinha inchada, envolta em uma bolha de agua. Fui em busca de especialistas e a resposta era a mesma, ela provavelmente teria alguma síndrome não compatível com a vida.

Não sei se existe palavras mais brandas que algum medico possa falar para uma mãe em momentos que precisam entregar um diagnostico como esse, mas eu senti que um dos médicos tentou encontra-las de todas as formas, mas pela gravidade do que ela tinha, não encontrou e disse: Seu bebê é considerado um pré-óbito.

Se você está lendo esse texto, talvez esteja vivendo um momento parecido, ou talvez já tenha passado por isso e eu te desejo força e fé. Talvez você entenda minha dor, o grito que ecoava dentro da minha alma e eu continuava calada, parada e sem reação a cada consulta. No ultimo ultrassom quando o medico disse: Ela se foi. … de verdade, levantei e minha vontade era sair correndo daquela sala, queria ir para algum lugar que eu pudesse chorar sozinha.

E as pessoas ainda dizem: Que bom que foi no começo. Parem de dizer isso para uma mãe que perdeu um bebê. Vocês não podem imaginar o caminho que ela percorreu ate aquela perca e não importa se foi de repente, se foi uma perca espontânea, talvez o susto seja maior, talvez a dor chegue com muita intensidade de uma única vez, sem tempo para assimilar a situação.

Agora eu tinha um aborto retido dentro de mim, um corpinho minúsculo e sem vida estava dentro no meu ventre e além de toda dor na alma ainda precisava tomar uma decisão: esperar a natureza ou induzir?! Sim, induzi. Um dia vou falar sobre isso.

Ela chamava Anna Júlia, nossa menininha e escrevendo essas palavras uma lagrima cai dos meus olhos e continuo me contendo, porque enquanto escrevo meus filhos cheios de vida correm pela sala e pela graça de Deus estamos todos nos recuperando desse vírus que devastou tantas famílias, mas que aqui foi brando.

Hoje estaríamos de 22 semanas, há pouco dias ficamos sabendo o que ela tinha, que síndrome foi, mas é assunto para o próximo post.

Eu, encarecida, peço mais uma vez: Não digam que bom que foi no inicio!

Jaqueline Medeiros

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