Entre Fraldas e Blush

COMO LIDAR COM AS EMOÇÕES DOS SEUS FILHOS

Semana passada, nossa cadelinha Yorkshire Angel, de 14 anos, voltou ao céu. Lembro que no momento de falar com o filho, coração estava a mil por hora. Um misto de tantos sentimentos…  Eu chorei. Filho chorou. Marido chorou. Todos nós choramos.

Acolhimento é o que faz diferença. E para Pedro, acolher é abraçar, ficar perto, deixa-lo falar e lidarmos com tudo isto. Acho que nós – responsáveis pela criança – seja pai, mãe, tio ou avó, não importa o parentesco – precisamos saber como deixa-la livre para expor o que sente em  um momento tão delicado. Imagine você uma resposta à seguinte colocação:

 – Mamãe, eu fiquei pouco tempo com Angel. Ela nasceu antes de mim. E eu só fiquei com ela 6 anos!”

Acolher com amorosidade não é fácil. Fato. Mas é possível. Como?

Histórias. Uma possibilidade real. Sempre ouvi que “o conto dá conta”. Quando as histórias são bem construídas, elas conseguem educar, apoiar e ajudar com as emoções das crianças – e de nós adultos também.

Bruno Bettelheim, no livro  “ A Psicanalise dos Contos de Fadas”, tem uma fala que guardo em meu coração:

“Para que a história realmente prenda atenção da criança, deve entretê-la e despertar a sua curiosidade. Contudo, para enriquecer a sua vida, deve estimular-lhe a imaginação: ajudá-la a desenvolver seu intelecto e tornar claras as suas emoções; estar em harmonia com as suas ansiedades e aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam. “ (pag.11)

As crianças se identificam com os personagens, com suas lutas, medos, anseios. E quando, finalmente, eles vencem no final, elas se sentem vitoriosas pela virtude que o personagem conquistou. É “a jornada do herói”. É como estivéssemos dizendo para elas assim: “normal ter medo, normal ter receio, chorar, sofrer…mas o que você vai fazer com este sentimento aí dentro?“ Elas aprendem a enxergar as possibilidades e que elas podem fazer algo parecido ou não ao personagem da história para vencer no final.  E quando isto ocorrer, a criança trabalhou dentro dela a virtude que ela estava buscando. Entendeu o motivo de “o conto dá conta”? As histórias tornam claras as emoções!

Vou te contar uma história que sempre tem por aqui. É uma das que amo de paixão!  “Babioca, o cavalinho medroso” narra a história do cavalo Babioca que mora com Don Fernando, um cavaleiro que vive a salvar princesas em apuros. Contudo, ele morre de medo de lutar contra dragão. Todas as vezes que ele imagina que será o cavalo escolhido para esta batalha, treme de medo. Até que um dia ele foge para a floresta. Lá, ele encontra uma feiticeira que cria um amuleto da sorte e coloca no pescoço do Babioca. Agora, com toda a coragem do universo, Babioca volta para sua casa completamente diferente. No outro dia, ele se candidata para ser o cavalo escolhido para a batalha. Assim o é. Ele vai com seu cavaleiro. Luta o dia todo. Salva a princesa e luta contra o Dragão. E quando ele olha para seu pescoço, cadê o amuleto? Cadê? Não sei. Nem ele sabe! Mas o que ele sabe é que não precisa mais dele porque a coragem está em seu coração.

Singela, não é? Eu a conto muito aqui em casa em todos os momentos que o filho precisa de uma “dose extra” de coragem. E ele também retribui a mim esta dose, principalmente quando eu preciso dirigir. Sim, dirigir não é uma atividade tão legal e prazerosa para mim. E carregamos conosco nosso saquinho da coragem! Uma história para nos mostrar que a coragem está dentro de nós!!

E, na semana passada, já perdi as contas de quantas vezes já assistimos ao filme “Viva:  a Vida é uma Festa”. Aquele filme que, particularmente, chorei do começo ao fim. Resumindo bem resumidinho: é um filme que valoriza a família, a memória dos mortos, a amizade e o amor. A cena final do Miguel cantando para a sua Bisavó é tão linda que desidratei de tanto chorar. E ao colocar a foto do seu tataravô no altar, Miguel garantiu uma “morte” longa a ele pois acreditava que quando alguém morre e não é mais lembrado por alguém que esta vivo, ele desaparece para sempre. Sentiu a dimensão neste momento de luto aqui na nossa casa?

O Pedrinho assiste ao filme e um tempo depois me conta algo da nossa Angel. Ele reagiu bem a esta passagem dela. Mesmo assim, ainda está trabalhando o luto. Afinal, não fomos “ensinados” que a vida é um sopro e que chegará o momento de darmos adeus àqueles que amamos, não é? Então, de verdade, não me incomodo em ver o mesmo filme trocentas mil vezes. Assim como também não me canso de ler a mesma história pela enésima vez. Todas as vezes que a criança pede para ouvir ou ver novamente, pode ter certeza de que tem algo na história que ela está introjetando, buscando.

Da próxima vez que uma criança te pedir para ver/ler/ouvir novamente a tal história, recorde-se das lições do Bruno Bettelheim: as histórias tornam claras as emoções! Mas isso também não quer dizer que não devemos mudar a história, não é? Sempre haverá novos caminhos a serem descobertos, vividos e experimentados. E se você desejar algumas indicações de livros sobre o tema em questão, é só me procurar!

Até a próxima!

Elaine Cunha

Fonoaudióloga por formação e Contadora de Histórias por amor. Mãe do Pedro, de 6 anos, que não se cansa – ainda – de me pedir a mesma história todas as noites.

@caminhandocontando

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