Entre Fraldas e Blush

Quais memórias você está construindo com seus filhos?

O que a memória ama, fica eterno!

Acredito que você tenha assistido ao filme Divertida Mente, da Disney, não foi? O filme se passa na mente da menina Riley Andersen, mostrando como as cinco emoções (Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho) tentam conduzir sua vida quando ela se muda com seus pais para outra cidade. Lembrou? A cada experiência vivida, surgia uma memória de acordo com o sentimento existente nela. E quando a memória era marcante, ela ganhava destaque e ficava em outro local pois era uma “memória base”, não é? Lembrou?

Quando eu vi o filme a primeira vez, fiquei encantada ao ver a construção da memória e de como elas foram guardadas. Então, é sobre isto que quero conversar com você hoje: O papel de nossas memórias!

Mas o que é memória mesmo? Nada mais do que as lembranças que ficam guardadas em nossa consciência. Volta ao filme: tudo que foi vivenciado e a Ridley teve a consciência de que passou por aquela experiência vira memória. Vemos as primeiras recordações dela quando bebê aprendendo hóquei, os amigos, os momentos de bobeira com os pais…enfim, quando se tem atenção afeto no que se faz, aquele momento tem grandes chances de se tornar uma memória afetiva.

Eu disse: memória afetiva. Porque o afeto está na base da construção desta memória. E tem cheiro, som, cor…tudo que esteve presente naquele momento.

Eu posso dizer que trago comigo alguns acontecimentos de que nunca me esqueço. Cresci muito próxima à minha avó materna, a quem chamava de “mãe”. Lembro que eu e meus primos íamos para casa da minha avó logo depois da escola e ficávamos lá durante toda tarde, até o horário dos nossos pais nos buscarem. Até aí, nada de diferente de muitas famílias, não é?

Mas eu amava ficar lá depois que meus primos iam embora. Eu adorava vê-la corrigir as tarefas da turma (ela era professora). Eu adorava ir ao centro da cidade passear com minha avó todos os sábados pela manhã. Das músicas que ouvíamos na vitrola. Das reuniões da família nos aniversários onde cada tia tinha a sua especialidade (uma preparava as empadas, outra o bolo, outro brigadeiro, outra arrumava a decoração…) e eu, por ser mais velha do que os demais, podia ajudar mais. Foi aí que aprendi a fazer o brigadeiro que – modéstia à parte – quem come diz que não tem igual. Cada recordação tem cor, tem cheiro, tem gosto (espera só um pouco, preciso me refazer de tanta emoção…).

Você conhece o livro “Colchas de Retalhos”, escrito pela Conceil Correa da Silva, Editora do Brasil? Ela nos conta a sensível história do Felipe e de sua avó sendo construída num emaranhado de recordações e lembranças. Juntos numa conversa, enquanto ambos estão costurando, relembram que cada tecido ali separado por eles faz parte de algum acontecimento de um ente querido da família. E cada tecido que compõe aquela colcha de retalhos tem a história familiar que, no final, leva Felipe a aprender uma valiosa lição com uma bela recordação de sua avó.

As memórias dizem muito sobre nós. Minha história se mistura à sua a partir do momento em que conversamos e criamos uma memória. E, no final, o colorido, o tamanho e o significado desta “colcha de retalhos” está interligada muito mais do que podemos pensar.

Qual recordação será que estamos criando e deixando marcadas em nossos filhos? Já pensou nisso?

“O que a memória ama, fica eterno. Te amo com a memória, imperecível”. (Adélia Prado)

Por isso, aqui em casa temos algumas atividades em que eu “aposto todas as minhas fichas” na construção desta memória afetiva. E contar histórias é uma delas.

Todas as noites – com exceção daquele dia em que a pessoa que escreve não consegue nem ler mais um simples bilhete – tem histórias! Algum livro escolhido por ele ou escolhido por mim. Às vezes, quero direcionar a leitura para algum tema especifico. E aí, é assim: ele se deita na cama dele, abre um espacinho para mim, eu deito junto, lemos com tudo o que tem direito, a oração para dormir, beijos e abraços e, finalmente, as frase finais do nosso dia:

– Boa noite, Filho.

– Boa noite, Mamãe.

– Eu te amo, filho, até a lua.

– Eu te amo também, de ida e volta, Mamãe.

Ah, se você tiver a chance, leia também “As cinco pessoas que você encontra no Céu”, do Mitch Albom, Editora Arqueiro. Porque …

“Nenhuma história existe isoladamente. As histórias às vezes se justapõem como azulejos numa parede, às vezes se superpõem uma às outras como pedras no leito de um rio”. (Mitch Albom, no livro As cinco pessoas que você encontra no Céu)

Sempre há tempo de fazer mais colorido, tá? Obrigado por fazer parte da minha!

Até a próxima!

Elaine Cunha

Fonoaudióloga & Contadora de Histórias. E mãe do Pedro Ivan, de 6 anos, que está aprendendo a ler e a escrever.

@caminhandocontando

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COMO LIDAR COM AS EMOÇÕES DOS SEUS FILHOS
“Queria contar histórias para meu filho, mas eu não sou contador de histórias…”
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