O Temido Colesterol

Em 16.05.2016   Arquivado em CLUBMAMAESFIT, DIETA PALEOLÍTICA

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O temido colesterol.

paleolitico

Lá vem a Isadora de novo derrubar mais um mito.

E eu vou mesmo.

Até hoje você sempre pensou que o tal do colesterol era um monstrinho que tinha no meio da gordura e que quando entrava no organismo, passava para a corrente sanguínea e fazia aquele estrago, que entupia veias, que aumentava a pressão, que o LDL é o ruim e o HDL é o bom.

Então agora pode começar a pular, gritar, ficar feliz e ir ao supermercado comprar cupim, picanha, bacon e comer sem culpa.

Só não compra aquele pão com alho pra acompanhar no churrasco, tá bom? Compra queijo, ovinhos de codorna, salaminhos. Mas esse é um assunto pra outro post.

Vamos “começar do começo”.

Lembra da sua avó, quando ela cozinhava na banha do porco, comia aquela carne mergulhada na banha na lata e nunca teve colesterol alto, diabetes, hipertensão e outras doenças que dizem estar relacionadas com a gordura?

Agora se você é mais da minha idade (22) talvez sua avó já tenha sim hipertensão e diabetes, porque ela conheceu os óleos vegetais, os produtos industrializados e veio morar na cidade e parou de matar porco.

Vamos usar a lei de que “O que Deus fez não faz mal”. Certo?

Carnes de qualquer tipo, com gorduras ou sem gorduras, não fazem mal, não engordam e não aumentam o colesterol. Quebrou o mito? Mudou o paradigma enraizado ai?

Ainda não né?

Vou te contar os benefícios desse bendito, porque até hoje o coitadinho só foi taxado de monstrinho.

O colesterol é uma cera, um charmoso lipídio que agracia a membrana de cada uma de nossas células e nosso plasma sanguíneo. Seus trabalhos, que são muitos, incluem isolar neurônios, construir e manter as membranas celulares, metabolizar vitaminas solúveis em gordura, produzir bile e dar o pontapé inicial para a síntese do corpo de muitos hormônios, incluindo os hormônios sexuais. Na verdade, só coisas legais.

Só que alguém já te contou que você é produtor de colesterol e triglicerídeos? Se você já sabe, às vezes não sabe os benefícios, mas se você não sabe eu vou te contar.

O seu lindo fígado produz em média cerca de 1000 a 1400 miligramas de colesterol por dia, e geralmente na sua dieta o limite é de 300 miligramas. E sabe o que acontece quando você ingere o colesterol na dieta? O fígado tem um mecanismo de feedback à esse colesterol exógeno (que vem de fora). O que significa? Que quanto mais você ingere, menos ele produz. É como se ele pensasse assim: “Tá entrando colesterol aqui. Ops, vou produzir menos.” E vice-versa. Se você comer de menos, ele produz mais.

E onde entra a diferença dos colesteróis, HDL e LDL?

paleo

HDL são lipoproteínas (são partículas esféricas de gordura que tem proteínas solúveis em água ao seu redor, e elas transportam o colesterol) de alta densidade, que tem a função de levar o colesterol dos tecidos do corpo de volta para o fígado, e em seguida elimina o HDL através da bílis.  O HDL é o único que ajuda naturalmente a livrar o excesso de colesterol quando o corpo não precisa mais dele, por isso a sua popularidade universal. Alguns médicos se referem a ele como o caminhão de lixo da natureza.

Em seguida, existem as lipoproteínas de baixa densidade, o LDL. Também é uma lipoproteína e um entregador. O LDL tem o desonrado trabalho de levar o colesterol, após a sua produção no fígado, para os tecidos do corpo. Lembre-se, este é um trabalho importante! Este colesterol tem uma lista enorme de tarefas a fazer.

Ironicamente, verificou-se que não é a parte de colesterol da porção do LDL ou do HDL que é perigosa, mas sim a parte da lipoproteína. Infelizmente, uma vez que a medicina já tinha encontrado uma maneira de diferenciar entre a quantidade de HDL e de LDL em um exame de sangue de baixo custo, foi o colesterol que ficou na desvantagem.

A mais recente pesquisa sobre o LDL mostra que existem na verdade subcategorias neste transporte de colesterol e que algumas são mais perigosas do que as outras. Pensa-se agora que as maiores e mais revoltas partículas de LDL tem pouco ou nenhum papel significativo na doença cardíaca. Por outro lado, se acredita que as pequenas partículas densas de LDL estão mais envolvidas no processo de inflamação que dá inicio a cascata da aterosclerose. E caso você não saiba, uma dieta rica em simples carboidratos é o que prontamente promove a formação destas pequenas partículas de LDL! Infelizmente, esta distinção importante é algo que provavelmente seu médico não sabe muito a respeito, mas é o número de pequenas partículas de LDL que talvez seja a leitura mais importante em qualquer teste de colesterol. Assim, um total de colesterol de, digamos 230 ou mesmo 250 pode não ser perigoso, se seu HDL for elevado e sua pequena partícula LDL for baixa.

Antes de prosseguirmos, vamos fazer uma breve menção aos triglicerídeos. Os triglicerídeos são, essencialmente, a forma que a gordura assume à medida que viaja para os tecidos do corpo através da corrente sanguínea. A relação entre o colesterol e os triglicerídeos é mais do que uma associação. Um nível de triglicerídeos elevado, que é inequivocamente alimentado por uma dieta rica em carboidratos, é frequentemente um marcador para outros problemas no corpo, particularmente a resistência à insulina (acompanhada por risco de diabetes), bem como a inflamação (com o seu risco de doença do coração). Altos níveis são muitas vezes vistos com o colesterol HDL baixo. Mais uma vez, a dieta rica em carboidratos causa estragos.

Início do pânico pelo colesterol

A doença cardíaca decolou no início do século XX e os médicos freneticamente procuraram pela causa ao longo das décadas seguintes. Testes nos anos cinquenta inicialmente mostraram uma associação entre a morte prematura por doença cardíaca e os depósitos de gordura e lesões ao longo das paredes das artérias. Como o colesterol estava presente nesses depósitos (é claro que estaria!) e como os pesquisadores tinham previamente associado a hipercolesterolemia familiar (níveis altos de colesterol hereditário) com a doença cardíaca, eles concluíram que o colesterol deveria ser o culpado. Na verdade o que acontece é que, em resposta a uma situação inflamatória, o corpo utiliza o colesterol como um “band-aid” para cobrir temporariamente quaisquer lesões na parede arterial. Em caso da inflamação ser resolvida, o “band-aid” vai embora e a reparação ocorre. Nenhum dano, nenhuma falha. Infelizmente, na maioria dos casos a inflamação continua, a placa de colesterol é eventualmente afetada por macrófagos (células de defesa) e é oxidada a um ponto em que ocupa mais espaço na artéria, retarda o fluxo arterial e, eventualmente, pode se desprender e formar um coágulo.

A morte por doença cardíaca, de acordo com o CDC, diminuiu mais de 50% desde seu pico na década de 1950. O sucesso é atribuído a um número de fatores nas quais incluem a diminuição no hábito de fumar e o melhor diagnóstico e tratamento da pressão arterial elevada. Incluída na lista de fatores está a oportunidade da educação pública a respeito das descobertas/teorias científicas relacionadas ao colesterol. No entanto, as medições (incluindo as estimativas do CDC) de ingestão de gordura saturada no regime alimentar, mostraram que a ingestão de modo geral permaneceu a mesma ou aumentou. Mas a mensagem do colesterol dietético permaneceu.

Então, quais são os problemas com o lipídio?

Aí está a pergunta de um milhão de dólares. Primeiro, vamos voltar à questão evolutiva. Sendo um sistema natural de regulagem automática, o corpo irá reagir se não tiver o colesterol suficiente (sim, a definição de suficiência do corpo e não a da Merck). Se não há colesterol suficiente, o alarme dispara, luzes começam a piscar e o corpo entra em modo de crise. Hormônios corticoides coordenam a redistribuição de colesterol, uma espécie de triagem em que o colesterol é racionado entre as muitas áreas do corpo que precisam dele. No entanto, o corpo está agora trabalhando em condições precárias.

A quantia de colesterol adequado não está disponível para o sistema de reparo do corpo, para a captação de serotonina, para a iniciação completa de vitamina D e para a produção hormonal e sua regulação de açúcar no sangue e inflamação, etc, etc. O que a sua lógica diz aqui? Exato, nada está funcionando da maneira que deveria.

Deixe-me acrescentar também que o perfil de colesterol de todo mundo também vai ser diferente. E reconheço que uma porcentagem muito pequena de pessoas realmente possuem colesterol hereditário elevado, hipercolesterolemia familiar, uma condição metabólica com deficiência ou mesmo a falta de habilidade de metabolizar o colesterol. Esta condição pode ter graves consequências para a saúde. Falando nisso, esta condição, em sua forma heterozigota afeta no máximo 1 pessoa a cada 500. O colesterol sérico total destas pessoas está em 400mg/dL (em oposição aos 200 recomendados). A forma homozigótica afeta cerca de 1 pessoa a cada 250.000. Você provavelmente não conhece ninguém nesta categoria, porque doença dessas pessoas quase sempre acaba com suas vidas em uma idade muito jovem.

Eu menciono a hipercolesterolemia familiar porque eu quero distinguir ela das afirmações feitas por anúncios da grande indústria farmacêutica onde dizem que você pode ter colesterol alto porque as pessoas em sua família têm e – você pode acreditar – a empresa deles está aqui para ajudar. Dã! A família de todo mundo influencia no perfil de colesterol. Ele é, em sua maioria, genético. Sem grande preocupação quanto a isso. Só porque você vem de uma família com colesterol “elevado” não significa que você tem a desordem metabólica hipercolesterolemia familiar. Você pode muito bem apostar um monte de dinheiro na probabilidade de que o seu perfil de colesterol – bom ou mau – tem muito mais a ver com os comportamentos aprendidos, como dieta e exercício. O colesterol “elevado” não se iguala ao distúrbio metabólico.

O culpado era outro!

Eu já disse isso antes e eu vou dizer de novo. A pesquisa médica sólida e confiável não provou que a redução de colesterol por si só reduz o risco de morte por doença cardíaca em toda uma população. Sim, há sempre aquela único cara isolado que é a exceção, mas ele (ou ela) é uma anomalia estatística e não nega a legitimidade do modelo. Por exemplo, o povo japonês de Okinawa está entre os mais saudáveis do mundo. A sua taxa de doenças cardíacas é extremamente baixa, porém eles tendem a ter os níveis de colesterol “elevados”.

O fato é que a metade de todos que sofrem ataques cardíacos pela primeira vez têm um perfil de colesterol perfeitamente “normal”. O que isso lhe diz? Deve haver alguma peça faltando por trás da “outra metade” e, eu argumento firmemente, por trás da primeira metade também. O colesterol é uma informação falsa.

Tudo se resume à inflamação. A inflamação é o fator número um na doença cardíaca. Este é um fato aceito, porém ainda recebe pouca atenção e nenhuma prevenção ou tratamento verdadeiro. Pense nisso: você verifica os seus níveis de colesterol a cada cinco anos ou mais se o seu perfil for “problemático”. Mas e quando é que você tem biomarcadores verificando se há alguma inflamação? A menos que você já tenha tido um ataque cardíaco ou foi diagnosticado com uma doença grave, a resposta provável é nunca.

Inflamação. É causada pelo quê? Não pela gordura, mas sim pelos carboidratos. Sim, açúcares e carboidratos processados estão no topo da lista de culpados, mas grãos e amidos em geral contribuem para o problema. O LDL se eleva diretamente não pela quantidade de gordura saturada que você come, mas pelo aumento dos níveis de inflamação causado por carboidratos e gorduras trans.

Oxidação. Além disso, quase todos os estudos sugerem que o LDL se torna uma verdadeira ameaça só quando ele é oxidado. E o que oxida ele? Radicais livres. Estamos falando principalmente de gorduras trans, este mostro de aditivo encontrado em inúmeros produtos alimentares (em oposição aos alimentos). O que neutraliza os radicais livres (pois todos nós naturalmente temos alguns)? Antioxidantes: vegetais e frutas, é claro, assim como nozes, azeite de oliva (sem elevar a altas temperaturas, senão o efeito dele é contrário), etc. Considere também um suplemento multi-antioxidante de base ampla que contém os nutrientes indicados para diminuir a oxidação. Voltar para a questão da informação falsa. Substancialmente o colesterol “elevado”, HDL baixo ou LDL alto, pode ser motivo para você dar uma pausa, mas não pela razão que você imagina. O número pode lhe dizer que algo está errado, porém eles são sintomas mais de uma grande preocupação do que do próprio problema principal. O perfil de colesterol pode ser afetado por outras condições, como hipotireoidismo, diabetes não tratada ou pré-diabetes, gravidez (surpresa!), lactação, estresse, condições do fígado, doenças cardíacas (sintoma, não a causa), etc. Converse com seu médico sobre o que os seus números significam em seu esquema geral de sua saúde. Veja se você pode obter uma leitura sobre outros marcadores, como a proteína C-reativa (um indicador inflamatório) e os números dessas pequenas partículas de LDL.

 

 

Como cuidar de verdade da saúde?

A nutrição primal se encaixa bem aqui também: grandes quantidades e variedade de vegetais, frutas, carnes de boa qualidade, GORDURAS SAUDÁVEIS e proteínas.

Além disso, a abundância de ácidos graxos ômega-3, em particular o óleo de peixe, irá afinar o sangue e ajudar a prevenir a coagulação, que junto com aterosclerose, é uma configuração séria para doença cardíaca e AVC. O óleo de peixe também ajuda a baixar os triglicerídeos e aumentar o “bom” HDL.

Um beijo grande e abraço apertado! Até o próximo post.

Obrigada!!

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http://sendopaleo.com/