Entre Fraldas e Blush

A Solidão da Maternidade

A vida de mãe tem uma divisão muito importante: A. M. (Antes daMaternidade) e D.M. (Depois da Maternidade). Falaremos sobre isso nos próximosparágrafos.

Quem não sente saudade, sejamos honestos, da vida antes dos filhos? Vocêtinha tempo de sobra, podia sair, combinar uma viagem com o namorado, marido (qualquer tipo de relacionamento) quando quisessem ou com os amigos, claro. Parair a um bar, balada, show, restaurante era tomar um banho e pronto. Hora paravoltar? O que era isso? Ninguém era a Cinderela, afinal, a noite era umacriança.

Suas roupas serviam, para cada saída uma produção diferente, a maquiagemera sua melhor amiga, o cabelo impecável , as unhas bem feitas, tudo 100% emdia. 

Os assuntos eram intermináveis, haja fofoca para colocar em dia!! 

De repente eis que surge a barriga, o DM (depois da maternidade), vocêdecide ser mãe, a criança nasce, sua casa está cheia de visitas nos primeiros meses,parece que todo mundo lembra de você, haja foto e sorrisos para todos os lados,seu celular está cheio de mensagens assim como as redes sociais. Ufa, não estousozinha! Você, minha amiga mãe, pensa.

Solicitações de ajuda chovem a todo momento! Quem não se ofereceu paradar aquela "mãozinha" com o RN ?

Com o passar dos meses o ritmo de visita diminui, tem mãe que dá graçasa Deus outras pedem "pelo amor de Deus, venham", meu caso. Seuvestuário se resume a uma camisola de maternidade porque é fácil paraamamentar, uma camisa de abertura frontal, no cabelo? O coque! Afinal, quandonasce o filho nasce o coque junto. Batom? Pó? Blush? Itens esquecidos noarmário do banheiro.

Os convites para sair acabam, pois você tem um bebê e como irá sair comum filho pequeno? Este passeio se torna uma vaga lembrança de como erabom. 

Por mais que você tenha uma rede de apoio, toda ajuda necessária, chegaum momento que a amiga solidão bate na sua porta, mesmo sem ninguémabrir ela entra e vira um membro familiar. Que esquisito né? É aquele ponto quesó a mãe pode ajudar, no início quando os filhos nos exigem atenção redobrada.A vida se resume a vocês dois. 

Eu me sentia como um item de decoração, aquele vaso no canto da sala queas pessoas lembram de vez em quando que existe. Monaliza Perrone era minhacompanheira durante as mamadeiras da madrugada. Manuel Carlos, no Canal Viva,era garantido no período vespertino enquanto a nenê mamava. 

Cadê a vida de antes? O tempo de antes? Os assuntos? Minha vida seresumia a inúmeras visitas, perguntas e respostas sobre a Lígia, como eu estava, nossa rotina, tudo relacionado a Carol mãe. Os passeios eram aqui em casaporque era mais fácil. Chegou um dia que eu disse a minha amiga:

– "Me fale de você, esquece a Ligia. Preciso saber da vida alheia enão da minha".

Quanto desespero por causa desse mundinho que girava em torno damaternidade. Não trabalhava! Não via a cara da rua, que assunto eu tinha?

Até o quarto mês da Fofu minhas saídas eram ao pediatra, caminhadas noconvívio do condomínio, farmácia e só depois disso os shoppings, café , CineMaterna, viagens para a casa dos avós entraram no roteiro. Restaurante apenascom espaço kids ou que oferecessem um Moisés para ela ficar. Ah sim, levava ocarrinho caso não tivesse.

Muitas vezes saía só nós duas, o Bruno tinha medo de ficar sozinho só osdois. Era foda, não conseguia um "tempo para mim". Foi assim quecomecei a encarar a maternidade de uma forma divertida e fazer da minha filhauma companhia para todas as horas.

Até hoje digo quando saímos juntas "quem gosta de sair com a mamãe?" "Quem é a parceira de passeios da mamãe ?"

Era um contrato de risco as saídas porque ela podia dar crise de choro,birra, qualquer outro perrengue, eu ter que largar tudo e voltar para casa.Sim, aconteceram várias vezes.

Os convites para as saídas voltaram, mas com as amigas que tem filhos oucom as que entendem a situação né? Aquela que enquanto isso come o outro correatrás da criança, nenhum assunto é concluído e você diz o tempo inteiro"para filho" "desce daí ", "não bate na criança "e por aí vai. Quantas vezes éramos apenas nós 3? Nós éramos o espaço kids kk.

Ah sim, claro para sair tem que ter a arrumação 2h antes do horáriocombinado, dar a janta ou ser antes do horário de dormir. Isso no melhorcenário , pois sempre tinha imprevistos e precisávamos cancelar.

Já passei bastante nervoso com isso. Com a minha filha ditando oshorários e nunca podia ser quando eu queria. Haja revolta materna. Quem nunca?

Aos poucos vamos nos adaptando, nessa adaptação você faz novos amigos,troca experiências , tem empatia pelas novas mães, oferece aquele sorriso amigocomo forma de conforto.

A maternidade me trouxe novas e maravilhosas amizades. Daquelas paravida toda. Me afastou também de pessoas que eu considerava amigas, acontece né?Nosso tempo muda, amadurecemos. Se eu sinto saudade delas? Claro, não fui euquem fechou a porta, se quiserem voltar, fiquem à vontade. Não guardo mágoas,elas nos causam rugas.

A solidão foi embora faz um bom tempo, tivemos uma DR seria,daquelas com gritos e xingamentos. Disse que na minha vida ela não entra mais,que vá reinar em outro lugar. Ah, parei de me sentir um elemento decorativotambém e me tornei um item de primeira necessidade. 

Preenchi meu tempo com outras coisas mais produtivas, continuei saindocom as amigas, levando ou não a Ligia. Me divertindo com ela, aproveitando cadamomento. Eu sempre gostei da vida agitada, cheia de compromissos. Se eu nãopuder leva lá comigo, entendo que não há problemas e fica para uma próxima. Nãoexiste mais um "peso". Somos uma ótima companhia, dupla dinâmica. Euescolhi ser mãe né? Tenho que escolher como vou conduzir isso. 

Optei pelo sorriso no rosto! Pela diversão. Qual é o próximo passeio?

Por Carol Gama @blogvamosvamosconversar

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