O papel do Pai e a importância da figura paterna

Em 06.03.2017   Arquivado em CONFISSÕES MATERNAS, CRIANÇAS

Olá meninas, ultimamente eu tenho refletido muito sobre a importância de ter a presença e a figura paterna na criação das crianças, sei que é um assunto que já é discutido há muito tempo e ainda falta muito para se entender.

Tive uma infância muito tranquila e meu pai ainda é o meu herói. Imagino como pode ser traumático não ter a figura paterna durante a infância e ao longo da vida. Meu pai desenvolveu o papel de pai, foi sempre presente, um paizão, companheiro da minha mãe, trabalhava muito e não ia com freqüência nas festinhas na escola, mas sempre que podia participava e nos recompensava com muito amor e cuidado.

Atualmente eu vejo que a maioria dos pais vivem uma vida corrida e suas maiores preocupações são as questões financeiras e assim vamos em direção a uma geração que cresce rodeada por tudo que o dinheiro pode comprar e sem o essencial para uma vida equilibrada na vida adulta: O amor e cuidado dos seus pais.

O pai traz segurança e é ele nosso primeiro herói, aquele que sustenta a casa, que cuida da mãe, dos filhos, que pega no colo, que arruma o carro, que troca a lampada. O pai é aquele que brinca de correr, que solta pipa, que ensina a andar de bicicleta.

Estava lendo um artigo muito bom no site da USP e quero compartilhar alguns trechos que são relacionados a importância que esses “heróis” tem para as crianças.

 

Segue:

O pai (a figura paterna de modo geral) traz uma contribuição vital para o desenvolvimento das crianças. O que o pai pode oferecer a seus filhos é diferente do que a mãe oferece, mas para a criança a importância é a mesma. As diferenças entre homens e mulheres no que diz respeito a seus papéis de pais e mães não estão explicitamente delineadas – cada família precisa descobrir de sua própria maneira. O pai também é importante porque ele é o suporte de sua parceira. Os pais oferecem um modelo de relação que as crianças imitam. Portanto, o sucesso ou as dificuldades nos futuros relacionamentos delas são em boa parte frutos dessa enorme influência da maneira pela qual os pais se comportaram. Isto não significa que os pais precisam ser perfeitos. Mas é importante para as crianças ter essa referência de pais trabalhando juntos para vencer as dificuldades que todas as famílias enfrentam. Para todo homem, tornar-se pai é um enorme passo. Até que se torne realidade, ninguém sabe o que isto realmente será para cada um. É claro que os comportamentos podem ser os mais diversos e não pretendemos estabelecer regras sobre como se tornar um pai. O importante é interessar-se pela criança, apreciar a sua companhia e seguir as suas próprias intuições. A principal mensagem é:

  • quando e como os pais começam a participar pode fazer uma enorme diferença na vida de seus filhos;
  • deixar de participar pode significar uma perda de oportunidade, do prazer e da recompensa de um relacionamento tanto para os filhos quanto para o pai.

Preparando-se para ser pai

O pai precisa de tanto preparo no ajuste a seu novo papel quanto a mãe. Portanto, ele precisa participar plenamente dos preparativos para a chegada do novo bebê. O tempo despendido na preparação para se tornar pai pode significar toda a diferença na qualidade de seu envolvimento no momento em que o bebê chega. Preparação física e emocional para a chegada do bebê são muito importantes, e o mesmo se dá para se tornar um pai adotivo. O nascimento e os filhos são freqüentemente encarados como parte do mundo feminino, e muitas vezes os homens se sentem excluídos. Inconscientemente podem sentir ciúmes pela atenção que a parceira grávida recebe. Podem reagir isolando-se em seus próprios projetos. Estar presente no momento do nascimento pode ser muito valioso para o relacionamento do pai com a sua parceira e com o bebê. Alguns homens podem se sentir incomodados ou constrangidos com a ideia de participar de aulas de pré-natal. Mas tanto o impacto físico como o impacto emocional do nascimento serão menos estressantes se os pais estiverem preparados para a experiência. Nem sempre é fácil para o pai participar com todo o envolvimento necessário, porque as instituições de saúde às vezes também não atendem a necessidade dele. Aulas de pré-natal, por exemplo, podem ocorrer durante o dia, e os empregadores não serem solidários com o fato.

Que tipo de pai você vai ser?

São muitas as experiências que afetam o comportamento dos pais. Nosso comportamento como pais é bastante influenciado pela maneira como fomos educados, que deixa raízes profundas. Nem sempre estamos cientes das razões pelas quais nos comportamos ou reagimos de determinada maneira. Alguns pais, por exemplo, podem achar muito difícil lidar com a raiva de seus filhos se nunca conseguiram ter raiva de seus próprios pais. Pais de primeira viagem podem se dedicar excessivamente ao trabalho, sem entender que estão usando isso como refúgio para escapar das pressões em casa. Podem, no futuro, lamentar esse comportamento. Uma das coisas mais importantes para uma criança nesses primeiros estágios é a maneira como os pais estão se entendendo. É triste ver famílias se desagregarem quando os filhos ainda são muito pequenos. O melhor início que pais e mães podem propiciar para seus filhos é o desenvolvimento de uma atmosfera feliz em casa. E conseguir isto significa estabelecer antecipadamente acordos entre o casal sobre as maneiras de agir. Isto se aplica a todo tipo de questão – como cuidar do bebê, trocar fraldas ou sobre dormir na cama dos pais. As crianças, incluindo os bebês, são muito sensíveis à atmosfera emocional que as circunda. Se as coisas estiverem estremecidas entre os pais – talvez por questões financeiras ou outro tipo de estresse que não apenas seu próprio relacionamento –, as crianças sentirão. Isto pode manifestar-se diretamente ou por outros caminhos, como dificuldades para dormir, cacoetes ou outros problemas de comportamento. Às vezes é difícil para nós entendermos ou lidarmos com o que está ocorrendo, e precisamos de auxílio externo. .

Os primeiros dias

O pai muitas vezes subestima as mudanças que uma criança ocasiona em uma família. Alguns homens podem tentar seguir como se nada tivesse mudado. Mas depois que o bebê chega, a maioria dos pais descobre que as horas de sono diminuem, o dinheiro diminui e o sexo diminui! Pode levar algum tempo até que você, pai, se aproxime realmente de seu bebê. Os pais precisam passar um bom tempo com sua nova família, e para isto devem tentar conseguir se libertar um pouco mais do trabalho quando nasce um novo bebê. Recentemente tornou-se um fato estudado que os pais podem sofrer, tanto quanto as mães, de depressão pós parto, embora com frequência este fato passe desapercebido. Na verdade, em certos aspectos o nascimento de um novo bebê pode ser até mais opressivo para o pai do que para a mãe. Todos esperam que a mãe se ocupe do bebê, enquanto o pai pode ficar se sentindo inútil e redundante, principalmente se não participar dos cuidados com o seu filho. É uma situação que pode ficar mais difícil se o pai estiver desempregado e achar que não consegue preencher o tradicional papel de provedor. É importante encontrar alguém com quem conversar se você achar difícil lidar com essa nova situação. O pai pode conseguir dizer para a sua parceira como está se sentindo, mas é mais fácil conversar com alguém de fora da família. O seu médico, psicólogo ou assistente social podem ajudar, ou ainda um amigo ou parente que também é pai poderá oferecer apoio.

Cuidando do bebê

A maneira pela qual o pai escolhe participar nos cuidados com o filho ou filha não importa – desde que ele realmente participe. Enquanto alguns homens dificilmente participam dos cuidados com a criança, outros se esforçam tanto na tentativa de serem bons pais que começam a competir com a mãe para ver quem é melhor cuidador. Eles podem participar dos cuidados com o bebê e das tarefas domésticas de tal modo que a mãe começa a se sentir um tanto excluída. É importante que o pai tente encontrar um equilíbrio, de modo que participe ajudando e apoiando sem minar as atividades da mãe ou assumir toda responsabilidade sozinho. Ninguém acha que é uma tarefa fácil, principalmente quando você e sua parceira encontram se, muito provavelmente, sensíveis e cansados.

O pai e sua parceira

O pai possui um papel fundamental como parceiro – pelo bem estar das crianças, de sua parceira e seu próprio. Na verdade, quem faz o quê na família não tem tanta importância. Por exemplo, ao discutir as tarefas de cada parceiro na casa, o que importa mais para os pais resolver é um arranjo que seja satisfatório para os dois. E os casais só conseguem isto se ambos mantiverem em mente a importância de seu relacionamento. O pai tem um papel importante a desempenhar, assegurando que o casal irá continuar a manter um relacionamento independente dos filhos. É muito fácil envolver-se tanto com a empolgação de um novo bebê como com o novo papel de pai, e o relacionamento do casal pode ser negligenciado. A percepção da criança sobre o relacionamento de seus pais é vital, e irá beneficiá-la se ela sentir que seus pais possuem vida própria. Isto significa que o pai tem que tomar o cuidado de continuar conversando com sua parceira. Uma das queixas mais comuns feitas pelas mulheres a respeito de seus parceiros é a de que eles não falam de seus sentimentos. Isto pode dizer algo a respeito da maneira como criamos nossos meninos, e pode ser difícil de ser mudado – mas é importante tentar. Assim é mais provável que um casal consiga resolver os problemas que aparecerem.

Os pais e seus filhos

Não existe um modo “certo” dos homens comportarem se em relação a seus filhos. Expressões de carinho são tão importantes quanto as brincadeiras. O que importa é que o pai sinta prazer e demonstre interesse no desenvolvimento de um relacionamento com a criança. Os pais com frequência comportam-se de maneira bem diferente com os filhos, quando comparados às mães:

• podem apreciar brincadeiras mais “brutas”

• podem falar com os bebês de modo diferente – os bebês sabem reconhecer isto e respondem a este comportamento também de modo diferente.

Mesmo sem ver quem é a pessoa que está falando, pesquisadores conseguem identificar quem está conversando com um bebê apenas pela reação dele. Os bebês se beneficiam de tipos diferentes de atenção. E o pai tem um papel importante a ser desempenhado, tanto com os meninos como com as meninas. As crianças se beneficiam de um relacionamento próximo com os dois genitores, cada um participando com algo que o outro não tem.

Conforme as crianças crescem, o papel do pai continua a ser importante, mas muda:

• Para os meninos – o pai pode representar um modelo. Algumas pesquisas sugerem que a influência do pai tem muito a ver com a futura sociabilidade do filho.

• Para as meninas – um bom relacionamento com o pai pode ter um impacto positivo na sua auto-estima e em seu senso de identidade, principalmente na adolescência.

• Para os adolescentes – o pai tem uma importância muito especial nos anos da adolescência. Ele pode ajudar a estabelecer limites, ou ajudar que os adolescentes se tornem independentes.

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Me contem como é essa experiencia na casa de vocês, como os papais estão executando o papel deles?

Por aqui estamos se adaptando, confesso que para o homem é um processo mais complicado sim, mas com um pouco de amor e paciência tudo se resolve.

 

Bju bju bju

 

Love, J. <3